Sessão de sensibilização para profissionais e equipas de saúde
Uma sessão para compreender os fatores que contribuem para o desgaste profissional, reconhecer sinais de sobrecarga e explorar estratégias e recursos que podem ser mobilizados pelo profissional, pela equipa e pela organização.
Formato principal: 3 horas. Para profissionais e equipas de saúde. Modalidade e conteúdos adaptados ao contexto da organização.
30 min · sem compromisso
Contexto
Cuidar dos outros envolve exigências emocionais, relacionais e organizacionais que se acumulam ao longo do tempo.
Um fenómeno multifatorial
O desgaste profissional não depende apenas da capacidade individual para lidar com o stresse. Pode resultar da interação entre as características e exigências do trabalho, as situações vividas, os recursos disponíveis, o funcionamento da equipa e as condições proporcionadas pela organização.
Reconhecido pela OMS
A Organização Mundial da Saúde define o burnout como um fenómeno ocupacional associado ao stresse crónico no trabalho que não foi gerido com sucesso, e as orientações europeias sobre riscos psicossociais sublinham igualmente a influência da organização e gestão do trabalho.
Criar um espaço para compreender estes fatores, reconhecer sinais de sobrecarga e identificar recursos pode ajudar os profissionais e as equipas a agir antes que as dificuldades se agravem.
Esta sessão não procura avaliar ou diagnosticar a equipa. Propõe um primeiro espaço de sensibilização e reflexão, integrado numa abordagem de prevenção necessariamente mais ampla.
Objetivos
Mais do que transmitir informação sobre o burnout, esta sessão propõe um espaço para compreender o desgaste profissional, refletir sobre situações exigentes e identificar respostas adequadas à natureza das dificuldades encontradas.
Ao longo da sessão, os participantes serão convidados a:
Reconhecer o seu caráter multifatorial e compreender o cansaço profissional e o burnout enquanto fenómeno relacionado com o contexto profissional.
Identificar sinais que podem indicar uma redução da margem disponível. Perceber quando é importante recorrer a estratégias pessoais, procurar apoio junto da equipa ou sinalizar uma necessidade à organização.
Refletir sobre situações, exigências e condições que podem aumentar a sobrecarga ou ajudar a reduzi-la.
Aprender e experimentar estratégias para reduzir a tensão no momento, gerir a frustração e recuperar depois de situações profissionais exigentes.
Clarificar o que pode ser feito pelo próprio profissional, o que necessita do apoio da equipa e o que depende da coordenação ou da organização.
Reconhecer recursos disponíveis e perceber quando uma dificuldade deve ser partilhada com a equipa, sinalizada à organização ou acompanhada por um profissional especializado.
Três níveis
O desgaste profissional é influenciado por fatores individuais, relacionais e organizacionais. Por isso, a sua prevenção não pode assentar exclusivamente na capacidade de cada profissional para gerir melhor o stresse ou recuperar das situações difíceis. Durante a sessão, os participantes são convidados a explorar recursos em três níveis complementares:
Reconhecer os próprios sinais de sobrecarga, utilizar estratégias de regulação e recuperação, clarificar os limites da sua responsabilidade e identificar quando é necessário procurar apoio.
Favorecer o apoio entre colegas, partilhar dificuldades sem julgamento, alinhar formas de atuação e evitar que situações exigentes continuem a ser geridas de forma isolada.
Proporcionar condições, orientações e circuitos de apoio que permitam sinalizar dificuldades, clarificar responsabilidades e responder a situações que ultrapassam os recursos individuais ou da equipa.
O objetivo não é distribuir culpas nem procurar uma solução única. É distinguir os diferentes campos de ação e identificar respostas mais ajustadas à natureza de cada dificuldade.
Estrutura da sessão
Os horários apresentados são indicativos, para ilustrar a estrutura da sessão. O horário exato é definido em conjunto com a sua organização.
Apresentação da sessão, dos objetivos e das condições de participação.
Enquadramento sobre o burnout, o seu caráter multifatorial e a forma como diferentes exigências se acumulam ao longo do tempo.
Identificação de sinais de redução da margem disponível e reflexão sobre os fatores que aumentam ou atenuam o seu impacto.
Exploração do que depende do profissional e do que não depende apenas dele, nomeadamente perante situações que geram frustração ou sentimento de impotência.
Experimentação de formas breves de regulação e recentramento, mobilizáveis antes, durante e depois de situações exigentes.
Distinção entre o que pode ser trabalhado individualmente, com a equipa ou com a organização, e identificação de recursos a experimentar no quotidiano.
A sessão inclui uma pausa e momentos de participação individual e coletiva, sem exigir a exposição de experiências pessoais ou de situações identificáveis.
Adaptação
Embora assente numa estrutura comum, a sessão é preparada em função da realidade, dos objetivos e das necessidades de cada organização.
Uma reunião preparatória com a direção ou coordenação para conhecer o contexto de trabalho, clarificar as expectativas e identificar os temas que merecem maior atenção. Esta conversa permite também adaptar a sessão de sensibilização às características da equipa e à sensibilidade dos temas abordados.
A facilitação combina contributos informativos breves, reflexão individual, exercícios práticos e momentos de partilha. A participação é sempre voluntária e não exige a exposição de experiências pessoais, situações clínicas ou pessoas identificáveis.
Os participantes são convidados a preencher uma avaliação anónima. Pode também ser realizada uma breve reunião de devolução à organização, centrada em tendências gerais, necessidades transversais e possíveis pistas de continuidade, sem atribuir comentários ou situações a participantes específicos.
Esta devolução não constitui um diagnóstico da equipa ou uma avaliação dos riscos psicossociais. O seu objetivo é apoiar a reflexão sobre os recursos existentes e as questões que poderão necessitar de maior atenção ou de uma intervenção específica.
Ir mais além
A sessão de três horas pode ser realizada de forma autónoma, como um primeiro momento de sensibilização e reflexão. Quando a organização pretende aprofundar determinadas necessidades, a intervenção pode ser integrada num percurso mais alargado.
Outros percursos possíveis
A sessão de sensibilização é complementada, durante a tarde, por uma oficina participativa. Este segundo período permite explorar situações recorrentes, mapear recursos já existentes e identificar necessidades de apoio, clarificação ou atuação aos níveis da equipa e da organização.
Uma primeira sessão permite sensibilizar a equipa e identificar os temas que merecem maior atenção. O segundo momento, realizado noutra data, é preparado a partir das necessidades identificadas e permite aprofundar de forma mais direcionada as questões relevantes para aquela organização.
Consoante o contexto, o aprofundamento poderá incidir sobre temas como a comunicação e o alinhamento dentro da equipa, a gestão de situações de impasse, os circuitos de apoio e sinalização, a clarificação de responsabilidades ou outros fatores que influenciem o desgaste profissional.
O formato e os objetivos do percurso são definidos em conjunto com a organização. Quando as necessidades identificadas ultrapassam o âmbito desta intervenção, poderá ser recomendada formação, supervisão ou intervenção especializada.
Quem conduz a sessão
Sou coach profissional, terapeuta da fala de formação e antiga responsável de equipa.
A minha experiência permitiu-me conhecer diferentes dimensões do trabalho: a relação de cuidado, o envolvimento emocional e a responsabilidade perante as pessoas acompanhadas, mas também os desafios da coordenação, da comunicação e do funcionamento de uma equipa.
Atualmente, o meu trabalho foca-se na melhoria da qualidade de vida no trabalho. Acompanho profissionais de saúde que procuram recuperar margem, clarificar limites e encontrar formas mais sustentáveis de exercer a sua atividade.
Nas minhas intervenções, privilegio uma abordagem participativa, prática e não culpabilizante, que reconhece tanto os recursos dos profissionais como a influência das condições coletivas e organizacionais no desgaste profissional.
Prática
Formato principal
Sessão de sensibilização participativa com a duração de 3 horas.
Destinatários
Profissionais e equipas de saúde, em contexto clínico, hospitalar, associativo ou noutras estruturas de cuidados e acompanhamento.
Modalidade
Presencial ou online, consoante a localização, os objetivos e as condições da organização.
Número de participantes
Definido em função da modalidade e do grau de participação pretendido, de forma a preservar a qualidade das reflexões e dos exercícios propostos.
Preparação
A realização da sessão é precedida por uma reunião com a direção ou coordenação, para compreender o contexto, clarificar expectativas e adaptar os conteúdos.
Proposta
Após uma primeira conversa, é apresentada uma proposta ajustada às necessidades, ao formato e às condições de realização da intervenção.
Primeira conversa
Cada organização tem uma realidade própria. Uma primeira conversa permite compreender o contexto da equipa, clarificar os objetivos da intervenção e perceber se esta sessão, ou um percurso mais alargado, é adequada às necessidades identificadas.
Esta conversa tem a duração de aproximadamente 30 minutos e não implica qualquer compromisso.
30 min · sem compromisso